quarta-feira, 12 de outubro de 2016

“The Shallows”, Nicholas Carr




O texto, dividido em dois capítulos aborda como a humanidade se organizou diante do surgimento de novas tecnologias, especificamente no que diz respeito a como essas tecnologias impactaram na percepção da realidade daqueles que fazem uso dessa tecnologia. Partindo de percepções pessoais em interlocução com alguns pensadores de épocas distintas, sendo um deles Marshall McLuhan, autor de "Os meios de comunicação como extensões do homem". Uma das principais contribuições dele é o fato de ele atentar para os meios de comunicação como sendo importantes influências sobre a maneira como se estrutura o nosso pensar e agir, alertando para como isso acontece sem que a maioria perceba.

Nicholas leva o leitor a discriminar as contingências tecnológicas sob as quais está inserido e as suas implicações - como a mudança mais que veloz com que a população mundial passou da época analógica para a digital, da web para a web 2.0, etc - e como isso trouxe uma nova forma de pensar para a humanidade, saindo de um paradigma de pensamento linear para uma espécie de caos informativo, onde a concentração é algo difícil de se alcançar dadas as inúmeras informações que são jogadas nos usuários online, por exemplo.

Ainda na primeira parte do texto, o autor leva o leitor por uma viagem muito familiar para aqueles que cresceram com a tecnologia e especialmente com a internet por perto. O leitor é levado a uma percepção de que o fenômeno de sentir-se dependente da tecnologia é algo mais que comum e que deve-se um pensamento crítico ao assunto, sempre pesando os prós e contras que tais tecnologias proporcionam.

Na segunda parte o autor faz uma passagem histórica sobre o mapa e o relógio, sendo estes metáforas para como a humanidade foi criando novas tecnologias (sejam elas o alfabeto ou computadores) e como estas ampliaram o desenvolvimento da mente humana. Haveria então uma troca entre o ambiente (ferramenta) e o indivíduo, produzindo assim novos padrões comportamentais adaptados a novas realidades. Essas novas realidades proporcionadas pelas tecnologias caracterizaram novas épocas e moldaram como a troca de informações era feita em cada uma delas. Um ponto importante da leitura pode ser situada no trecho em que Nicholas traz a categorização das tecnologias, especialmente na subcategoria das tecnologias intelectuais, ela incluiria 

"[...]todas as ferramentas que usamos para estender ou apoiar nossos poderes mentais – para encontrar e classificar informações, formular e articular ideias, compartilhar know-how e conhecimento, fazer medições e realizar cálculos, expandir a capacidade de nossa memória."

São elas que

"[...] que têm o poder maior e mais duradouro sobre o quê e como pensamos. São nossos instrumentos mais íntimos, os que usamos para nos auto exprimir, para formar a identidade pública e pessoal e para cultivar relações com os outros."

O objetivo dessa parte do texto é ressaltar que a tecnologia intelectual possui um ética intelectual sobre como a mente humana funciona (ou ao menos deveria) e que essa ética tem fortes consequência em como nos comportamos. Situando o leitor no embate determinista x instrumentalista, o autor apresenta argumentos de ambos os lados sobre como a tecnologia controla nosso cotidiano, especialmente a mente humana. A neuroplasticidade é colocada como uma grande incógnita que poderia responder a várias questões sobre a tecnologia e sua relação com o homem, assim como a linguagem também é uma parte chave para o entendimento dessas questões; Por fim ele mostra como alguns pensadores já discutiam sobre essas questões em outras épocas, defendendo tanto o falado como o escrito em seus discursos, levantando também como a alfabetização foi imprescindível para o surgimento da sociedade que temos atualmente.





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