quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Culto ao amador, Andrew Keen



O autor começa falando sobre o teorema do macaco infinito, elaborada por TH Huxley, que consiste em "se fornecermos a um número infinito de macacos um número infinito de máquinas de escrever, em algum lugar alguns macacos acabarão criando uma obra-prima".  Comparando esse teorema com o cenário da sua época, Andrew coloca que a democratização do acesso à internet e meios de produção de bens culturais tornou as pessoas os macacos da versão atual desse teorema, ocasionando um achatamento da cultura, por embaçar as fronteiras entre o público e autor, criador e consumidor, etc. Minha primeira impressão sobre o texto, partindo do colocado acima, é de entender a posição do escritor como defensiva e resistente às mudanças que estão acontecendo no mundo, mas com o passar da leitura do texto foi ficando mais clara a posição elitista e conservadora do mesmo, ao tentar atrelar a produção de materiais de qualidade a um sistema ultrapassado de comercialização de produtos.

Alguns pontos que foram esclarecendo o que coloquei acima durante a leitura, foram as tentativas (patéticas) de desvalorizar a produção colaborativa online em detrimento da produção autoral, apoiada pelas grandes corporações como único meio de gerar algo de qualidade. Atribuindo juízos de valor à produção colaborativa tais quais como "medíocre"ou "mentirosas", Andrew procura - algumas vezes utilizando argumentos até razoáveis, porém envoltos em preconceito - desqualificar a produção de blogs e outras mídias que fogem à normatividade de anos atrás colocando a insegurança das informações e até mesmo os relatos de experiências pessoais como "lixos" da web, inclusive os criticando por causa da exposição do eu que essas formas de comunicação proporcionam. 

Outra impressão passada durante a leitura foi a de uma tentativa de espalhar um pânico por causa da intensidade com que essas mídias (Youtube, Blogs, Wikipédia) foram ganhando (e retirando) espaço que antes outras mídias tradicionais ocupavam, sempre desqualificando a produção dessas mídias como irrelevante, ruim ou inseguras - o que sim apresenta riscos, pois uma das dificuldades desse espaço é encontrar fontes seguras de informação dentro do furacão de informações online, mas a habilidade de saber procurar é algo que pode ser aprendido por qualquer um, e as próprias mídias colaborativas ensinam isso pra quem sabe fazer uma pesquisa no Google.

Andrew traz ainda questões sobre propriedade intelectual e suas dificuldades atuais, acusando as novas formas de informação de prejudicar a produção de qualidade e dando espaço para que "lixos" apareçam e os verdadeiros talentos, não tenham vez. Colocando as grandes corporações no lugar de vítimas da produção colaborativa o autor consegue exibir interesses claros em perpetuar a hegemonia da criação e compartilhamento de conteúdos nas mãos de grandes empresários, o que vai de encontro à democratização do acesso.


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