quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Cultura de Convergência ou a cultura da participação (Jenkins)

O autor comenta sobre a obra de Henry Jenkins, Convergence Culture. Partindo dos conceitos chave de convergência de mídia, cultura participativa e inteligência coletiva ele tenta explicar o cenário atual de ofertas e maneiras de consumo, ele elabora o conceito de convergência como sendo um fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia aliada à cooperação entre múltiplas indústrias midiáticas e relacionada ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão quase a qualquer parte em busca das experiências de entretenimento novas.

A convergência ocorre quando as interações entre consumidores constroem suas próprias histórias por meio dos fragmentos de informação oriundos dos luxos midiáticos que estão expostos, dentro do seu próprio cotidiano. Ela ainda altera a lógica pela qual as indústrias de mídia operam e pela qual os consumidores processam a notícia e o entretenimento. Essa lógica operaria de acordo com alguns conceitos elencados por Jenkins: Knowledge Communities, Affective Economics, Transmedia Storytelling e Cultura Participativa. No decorrer do texto o comentador discorre sobre como Jenkins chegou a essas peças da lógica de convergência, ao estudar fenômenos contemporâneos da mídia, como seriados, realities shows, filmes, etc., e como a audiência consume esses produtos.

O texto aborda ainda os limites entre os consumidores e os produtores de materiais dentro de uma era onde a cultura participativa é um diferencial tão grande na forma como os produtos chegam ao consumidor. Focando na analise os processos de compartilhamento e ética dentro de uma comunidade, Jenkins esclarece que o conteúdo de entretenimento não está somente no luxo de informação por meio das múltiplas plataformas de mídia. Nossas histórias de vida, dos relacionamentos, memórias, fantasias e desejos também fluem por meio dos canais de mídia, assim estaríamos tocando no Affective Economics, ao considerar os fatores emocionais nas decisões de compra.


Por fim, é interessante colocar que atualmente, dentro do universo da cultura de convergência, o transmedia storytelling é um fator muito importante pois amplia as possibilidades de contato de um produto ao estender-se a diversas mídias. A interatividade proporcionada por essa característica torna a experiência de consumo única e possibilita novas maneias de consumir um produto. Além disso, a cultura participativa perpassada por essa cultura de convergência é marcada por uma espécie de dicotomia entre os velhos e novos produtores de bens de consumo: aqueles que tem como base de lucro os direitos autorais e aqueles que buscam na participação colaborativa uma nova maneira de consumir e também de produzir ao mesmo tempo com a ajuda de seus consumidores, sendo esta última uma re-emergência da criatividade nesse aspecto do consumo.

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